Vitória, 06 de Setembro de 2010



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ARTIGO: Leitura para pequenos leitores - Silvia Segatto
Notícia publicada em 11-04-2009.


  “A literatura é fundamental para a formação da criança”. Ler é contar histórias é uma forma de desenvolver o gosto pela fantasia, incentivando aspectos que dizem respeito ao seu potencial criativo”.
Itália Maria Falceta da Silveira

O mundo dos livros é o mundo da comunicação e da linguagem em seu sentido mais amplo, o prazer de ler estimula o prazer pela escrita. O amor pelos livros pode acontecer desde a mais tenra infância em que é possível desenvolver uma relação prazerosa com a leitura.

A criança se familiariza com livro desde os primeiros meses de vida, desde que possa ter esse contato. Para que a dinamização da leitura seja eficaz na formação de leitores é necessário que haja um ambiente, que de certa forma estimule os pequenos aprendizes. As bibliotecas e salas de leituras, por exemplo, têm uma função sócio-educativa, e nesse ambiente a realidade pode tornar-se ficção e, a ficção, realidade.

A leitura não pode ser imposta, tem que ocorrer de forma natural e ao mesmo tempo disciplinada. Tem que ser de acordo com o entendimento da criança, envolvendo o mundo dela. Se a voz for acalentadora e a fala cheia de ilustrações, uma vez contada a história pode-se reproduzi-la de mil maneiras sem fugir do contexto original, fazendo usos de alegorias e novas expressões. “A entoação desvela os movimentos da alma que estão trabalhando a frase a procura de palavras. O ritmo e a entoação são formas de movimento acentual ou ondulatório da fala”. (BOSI, 2002, p. 87).

Ler para os filhos antes de dormir estimula a curiosidade, solta a imaginação e cria neles o hábito da leitura. Os ambientes escola e lar sem livros e sem alguém como modelo de inspiração à leitura pode dificultar o ato de ler. Aparentemente, os professores e os pais são as figuras que mais influenciam no gosto pela leitura.

As crianças que nunca viram seus pais com um livro, falando sobre seus interesses literários são mais inibidas para tornarem-se bons leitores. A presença de livros em casa ou o incentivo dos pais são fatores que podem influenciar o desenvolvimento do gosto pela leitura. Em contraposição há casos de pais que têm o hábito de ler e o mesmo não acontece com seus filhos.

Embora a família tenha um importante papel no estímulo a leitura, não se pode desviar o foco da sala de aula que, através de práticas educativas, prazerosas e lúdicas colocam frente a frente o leitor e a leitura. É preciso considerar que muitas comunidades e escolas são desprovidas de recursos, porém, onde não há provimentos, pode-se realizar de forma criadora uma ponte entre as crianças e a leitura. Através de canções, narrações de histórias, declamações...

Na minha experiência como mãe, meu filho de seis anos pede que eu leia para ele. Para ficar divertido, mudo a entonação da voz procurando não utilizar palavras complexas, que ainda não fazem parte do vocabulário dele. Percebo que ele gosta da musicalidade, da voz e das palavras.

É um exemplo de que o amor pelos livros pode ser desenvolvido desde a mais tenra infância. Embora é preciso ressaltar que alguns teóricos da literatura para os pequenos afirmam que deve-se ler para crianças não apenas livros infantis. Os pequenos leitores podem ter acesso a muitas leituras.

Ou seja, diferentes gêneros podem ser utilizados no ato de ler, porém o pequeno leitor deve ser atendido de forma lúdica e afetiva. É preciso ler com paixão, ensinar com paixão e impedir que o medo das alienações esmague o amor pela leitura. Sem paixão nada se move, principalmente quando nos referimos à leitura para os pequenos leitores.

Não existe fórmula mágica para fazer uma criança apreciar a leitura, ser um bom leitor e um bom ouvinte. A base da primeira infância é a família e dela virá o primeiro referencial. Se uma criança convive num ambiente com livros, e observa sempre que seus pais, irmãos e outras pessoas a seu redor convivem com a leitura, ela certamente achará natural a convivência com os livros.

Em contraposição, existem crianças que não têm acesso a livros e crescem gostando de ler. Isso é perfeitamente plausível. Tomo minha infância como exemplo: eu e meus irmãos tínhamos hábitos de ler histórias em quadrinhos já que não tínhamos acesso a outras leituras. Outro fato marcante, como referencial de leitura, na minha primeira infância praticamente sem livros, foram as rodas de histórias. Meu avô sentava conosco e fazia muitas narrativas.

Para que haja incentivo de sua mente criadora, o exemplo é certamente a melhor forma de estimular, no sentido de orientá-la para ser uma boa leitora. Atitudes simples tornam-se compromissos indispensáveis: estimular a curiosidade, brincar, fazer coisas do dia a dia juntos. Ensinar canções (aquelas canções antigas da nossa infância...), ou contar estórias... Aquelas que nossos avôs contavam. “É na atividade criativa que a criança constrói formas de ver o mundo”. (www.crmariocovas.sp.gov.br/2007).

Abrir um livro de poemas e começar a ler com freqüência para a criança pode ser uma prazerosa forma de trabalhar a poesia tanto em casa como em sala de aula. A porta talvez se abra para um caminho que leva a partilhar da beleza do mundo. O prazer pela leitura, faz viajar na fantasia das imagens. A criança vive a poesia através das invenções, rimas e brincadeiras.

O mundo está dentro de cada pequeno leitor, e cada ser possui dentro de si um mundo a ser despertado pela leitura. Quando lemos dentro de nós, conseguimos realizar a leitura do nosso universo.

Silvia Segatto
Educadora, escritora e autora de Livros
Silviasegatto@terra.com.br





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