Vitória, 06 de Setembro de 2010



As matérias, textos e artigos publicados, não significam que estejamos de acordo com as posições apresentadas por seus autores ou fontes. Apenas estamos buscando divulgar textos e matérias que possam contribuir, de alguma maneira, para prestar um serviço social de ajuda e orientação a milhares de pessoas.

ARTIGO: Combate à dengue com consciência – Alencar Garcia de Freitas
Notícia publicada em 06-02-2010.


  Participamos, no Palácio Anchieta, do lançamento, no Estado, da Campanha O Brasil Contra a Dengue, com a presença do Ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Por sinal o evento foi uma verdadeira sauna, no salão São Tiago, que estava literalmente lotado, com a central de ar condicionado não dando conta para minimizar a temperatura de pleno meio-dia. Muito discurso. O ministro e o governador Paulo Hartung foram os que menos falaram, mas abordaram o sério problema da dengue com bastante conhecimento e competência.

A finalidade deste artigo não é falar sobre o calor e o tamanho das falas durante o lançamento, no Espírito Santo, da Campanha O Brasil Contra a Dengue, e sim falar especificamente sobre esse sério problema. O ministro Temporão pontuou muito bem quando disse que o problema maior é o da conscientização da sociedade, chamando-a à responsabilidade.

Quando o ministro fala da necessidade de maior conscientização do brasileiro no combate à dengue, é como se estivesse falando em todos os demais problemas que exigem uma chamada à responsabilidade. Nós, brasileiros, somos de achar que a responsabilidade de pôr fim a problemas como o da segurança pública, do transporte urbano, da habitação, da sonegação de impostos e da saúde dos cidadãos fosse unicamente dos poderes públicos. Se os cidadãos em geral tivessem mais consciência esses problemas não seriam tão graves e não estariam crescendo cada vez mais.

Vamos ficar, no entanto, apenas no foco da dengue. Por exemplo, o vizinho tem um jardim muito bonito ou uma piscina espetacular, ou belos vasos de plantas que são verdadeiros criadouros de mosquitos da dengue; pior, às vezes tem um quintal cheio de mato, lixo, pneus velhos e latas com água, tudo do jeito que a dengue gosta. E o vizinho não tem consciência de que o que é perigoso para ele é também danoso para os que estão no seu entorno.

Nos casos em que a dengue prolifera numa casa ou num terreno baldio, o certo é que o responsável ou responsáveis deveriam ser punidos severamente, uma vez que o problema passa a ser danoso para uma comunidade inteira. A punição não pode ser branda, tem que ser rigorosa, e só as autoridades com poder de política podem e devem agir com urgência e vigor.

Temos ouvido falar, por exemplo, de casos em que o agente de saúde que trabalha no combate à dengue sequer consegue entrar num domicílio onde existe suspeita de foco desse mosquito.

Os impostos que todos nós pagamos acabam indo para o ralo. São gastos excessivos em cima de um problema cujos gastos poderiam estar sendo feitos noutra direção, até mesmo na própria área de saúde. Haveria mais verba não só para implantar como também fazer funcionar e bem a rede hospitalar, remunerar melhor os profissionais desse segmento, cuidar melhor da saúde básica da família, ampliar a rede de prontos atendimentos e mais uma porção de benefícios que a maioria da população carente vem reclamando com muita razão.

O combate à dengue é mais um dos muitos problemas sociais que ainda temos pela frente e sem dúvida só serão resolvidos quando o cidadão tiver plena consciência do seu papel, começando a buscar e viabilizar, a partir da sua própria casa ou do seu próprio quintal, a solução que muitas vezes depende de si mesmo e não tanto do poder público. Se cada um fizer e bem a sua parte, o problema diminui de tamanho e fica bem mais fácil de ser resolvido.

Acreditamos que o maior investimento que se deve fazer no combate à dengue é na conscientização da sociedade – leia-se aqui como sociedade todos os segmentos sociais, do mais pobre ao mais rico – para que, uma vez plenamente engajada nesse tipo de esforço comunitário, encontre solução rápida e bem mais barata para o grave problema da dengue.

Alencar Garcia de Freitas é jornalista





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