Vitória, 06 de Setembro de 2010



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ARTIGO: Gestão: Otimização de Riscos Vs. Governança Corporativa. - Wolgano Messias
Notícia publicada em 06-03-2010.


  As Empresas que logram vantagens com a assunção de riscos não o fazem por acaso. Na verdade, as organizações que têm êxito ao assumir riscos apresentam alguns atributos em comum. O primeiro é que elas têm sucesso ao alinhar os interesses de seus tomadores de decisão (os seus Administradores) aos interesses dos proprietários da empresa (os acionistas), de forma a exporem-se a riscos adequados, pelas razões adequadas. O segundo é que elas escolhem a equipe apropriada para tarefa, uma vez que algumas pessoas reagem melhor ao risco do que as outras. O terceiro atributo diz respeito aos mecanismos de punição e recompensa dessa empresa, que são concebidos para punir a assunção equivocada de riscos e encorajar a boa assunção de riscos. E por último, a cultura organizacional leva-as a assumir riscos de maneira sensata e é estruturada com essa finalidade.

Se existe uma chave para o sucesso em se assumir riscos, esta consiste em garantir que aqueles expõem uma empresa ao risco, ou que a ele reagem, tomem suas decisões com uma única finalidade em mente: Aumentar o valor de suas empresas. Se os interesses dos tomadores de decisão não estiverem alinhados com os acionistas (Proprietários), é inevitável que ela fique exposta a alguns riscos desnecessários, e não a outros que deveria explorar. Nas grandes empresas de capital aberto e pulverizado, essa pode ser uma tarefa difícil. Os interesses da alta administração muitas vezes divergem daqueles dos gestores nas esferas intermediárias, e ambas as instâncias podem funcionar com objetivos que se desviam significativamente daqueles de seus acionistas e credores.

Nos últimos anos estamos assistindo a um vigoroso debate sobre governança corporativa e os motivos pelos quais ela é importante para o futuro das empresas. Em especial, os defensores de uma governança corporativa forte argumentam que o fortalecimento da supervisão que os acionistas e os conselhos de administração exercem sobre os executivos favorece a ocorrência de mudanças em empresas mal-administradas e assim constrói o bem social. Essa discussão sobre a governança corporativa tem também uma dimensão relacionada ao risco. Em uma ponta do espectro estão às empresas cujos gestores têm pequenas cotas ou mesmo nenhuma participação no patrimônio, e que tomam decisões tratando de seus próprios interesses. Muitas vezes, essas empresas assumem poucos riscos, pois os tomadores de decisão lucram com efeitos positivos do risco (em função da participação limitada ou inexistente no capital acionário), enquanto sofrem conseqüências graves com os resultados negativos do risco (pois são demitidos se os riscos assumidos não trazem resultados positivos). Uma comparação entre bancos controlados por acionistas e bancos com controle de gestores, descobriu que os primeiros são mais propensos a assumir riscos. Em geral, os executivos com participação limitada no capital das empresas não apenas investem de forma mais conservadoras, como também têm a tendência de tomar menos empréstimos e reter maior volume da Geração de Caixa. Na outra ponta do espectro estão as empresas em que os executivos e os principais tomadores de decisão têm grande parcela de sua riqueza atrelada ao desempenho da empresa. Essas empresas controladas por “Insiders”, em que os administradores estão entrincheirados, tendem também a correr riscos menores do que deveriam.

A relação entre governança corporativa e assunção de riscos não só é intuitiva, como também tem respaldo de evidências. Um estudo com 5.452 empresas de 38 países examinou o vínculo entre risco e a governança corporativa, considerando o risco em termos do desvio-padrão das gerações de caixa operacionais ao longo do tempo como percentual dos ativos totais, e relacionou esse número a medidas de governança corporativa. As empresas com menor controle por “Insiders” e que atuavam em mercados em que os investidores tinham maior proteção – isto é, mercados com alto grau de governança corporativa – tendiam a correr maiores riscos em todas as operações. Esses resultados são reforçados pelos estudos sobre negócios controlados por famílias (empresas de capital aberto controladas e administradas pelas famílias que fundaram). Já um teste mais direto da maneira como as empresas são afetadas por crises – uma avaliação de empresas coreanas em seqüência à crise financeira da coréia de 1997 – descobriu que as empresas com maior poder concentrado em mãos de investidores estrangeiros sofreram menor redução de valor do que aquelas em que preponderavam o controle “Insiders” e grupos familiares, o que sugere que as segundas não responderam tão bem quanto as primeiras.

Enfim, não causa surpresa o fato de as decisões sobre a intensidade e o tipo de riscos que devemos correr serem cruciais ao sucesso de uma empresa. Uma empresa que decide proteger-se contra todos os riscos provavelmente não irá gerar lucros para seus acionistas. Contudo, uma empresa que se expõe aos tipos errados de riscos pode sair-se ainda pior, já que tem maior probabilidade de sofrer prejuízos do que ter lucros por essa exposição. Em suma, a essência da boa governança corporativa está em tomar as decisões certas ao lidar com diferentes tipos de riscos.

Overview:
O governo dos EUA e o da Europa estão caminhando com as discussões sobre o tamanho sustentável de uma Instituição financeira, e com certeza será o foco para 2010. Os analistas defendem que quanto maior a Instituição, menos alavancada ela pode ser.

Os especialistas entendem que é extremamente difícil regular o tamanho de uma instituição, e que talvez seja mais coerente limitar a alavancagem (relação entre o capital e os empréstimos).
Todos nós sabemos que a crise financeira internacional, foi decorrente da ausência de regulação e de supervisão das operações financeiras de alto risco.

Entendo que a nível de mercado financeiro mundial, é fundamental uma regulação que não permita definitivamente a alavancagem irresponsável. É importante frisar que o mundo não está livre dos riscos que suportamos da maior crise da história moderna. Inclusive ainda nutrimos certo constrangimento, quando pensamos no futuro.

O Brasil possui um sistema de regulação coerente, que serve de modelo para aqueles que estão realmente dispostos a fazer uma gestão que coloque limite às barbaridades do mercado financeiro. Isto não elimina possibilidades de novas discussões sobre melhorias, revendo normas e processos que possam ser aperfeiçoados ou até novas implementações.

No âmbito de políticas de mercado, entendo que é preciso retirar todas as medidas que foram emergenciais para melhorar o desempenho do mercado, visando não corrermos o risco de superaquecimento da economia, gerando uma necessidade de políticas severas no sentido de conter o aumento da inflação.

A nível de economia, tanto no front interno como no front externo os mercados estão caminhando com certa tranqüilidade, excetuando-se apenas as economias da velha crise Européia, onde não vejo riscos iminentes para o nosso país. Diante do exposto acima, é preciso permanecer no grito de “Fique alerta Brasil”.

Para Reflexão: “Os profissionais devem gerenciar a si mesmos, diferenciando entre o que é ser eficiente (fazer certo as coisas) e o que é ser eficaz (fazer as coisas certas), administrando o tempo e priorizando tarefas (first things first).” Peter Ferdinand Drucker, (1909 - 2005), Filósofo e economista de origem austríaca, considerado o pai da Administração Moderna, sendo o mais reconhecido dos pensadores do fenômeno dos efeitos da Globalização na economia em geral e em particular nas organizações - subentendendo-se a administração moderna como a ciência que trata sobre pessoas nas organizações, como dizia ele próprio.

Sugestão para leitura: ¹ Avlaiação de Empresas Valuation – Calculando e Gerenciando o Valor das Empresas”, McKinsey & Company, Inc. Tom Copeland, Tim Koller, Jack Murrin, ed. Makron Books, 2002.
Sinopse: ¹ Avaliação de Empresas descreve o processo de cálculo dos valores das empresas e explica as diferenças entre práticas de avaliação e práticas contábeis nos Estados Unidos e em outros países.
Ilustra como maximizar o valor para o acionista e demonstra como a gestão com base no valor contribui para a melhoria do desenvolvimento de estratégias e mostra aos gestores de todos os níveis, em quaisquer empresas, como criar valor para seus negócios.
Além disso inclui:
Um capítulo com as idéias sobre as vantagens estratégicas da gestão com base no valor;
Estratégias para a avaliação de empresas com vários negócios, de empresas internacionais e de processos de reestruturação corporativa, fusões e aquisições;
Comparações internacionais do custo do capital, diferenças nos procedimentos contábeis e a forma pela qual a avaliação de empresas funciona em diferentes países;
Um estudo de caso detalhado mostrando como as técnicas e princípios de avaliação são aplicados.
A edição em português (Brasil) inclui um aprofundamento sobre as técnicas de avaliação de opções reais e sobre os desafios de avaliação em mercados emergentes.

Uma boa semana!
Prof. Wolgano N. Messias
Doutorando em Sociologia Econômica
Diretor do Instituto de Tecnologia Avançada em Gestão do ES – ITAG-ES
Tel.: (27) 3299-9588
Tel.: (27) 9962-4499
e-mail: wolgano@terra.com.br
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